Opiniões



Japan House agora também no Brasil, projeto de Kengo Kuma - Fev/2016



Baseado no uso de materiais naturais e na releitura de técnicas e elementos tradicionais das construções nipônicas, o arquiteto japonês Kengo Kuma desenvolveu o “Japan House”: um centro multiuso que será inaugurado em plena Avenida Paulista, a partir de março de 2017.

O projeto faz parte de uma iniciativa do governo do Japão que prevê a criação, em diferentes partes do mundo, de três equipamentos para divulgar o melhor da cultura contemporânea do país. Além de São Paulo, as duas outras cidades eleitas foram Los Angeles (EUA) e Londres (Reino Unido).

Para revestir a fachada, Kengo Kuma desenhou uma cortina de réguas de hinoki – madeira japonesa muito resistente. A estrutura representa duas características marcantes do seu trabalho: transparência e simplicidade. Apesar de ser usada há muitos anos na arquitetura do país oriental, tal madeira foi aplicada de forma contemporânea, atribuindo um semblante plástico único ao edifício.

"Evidenciar a natureza, através dos materiais naturais, é um dos focos. E faz todo o sentido, já que o Brasil é muito rico nesse quesito. A conversa com a natureza faz parte do belo na arquitetura", revela o arquiteto japonês.

Com acesso gratuito, o novo prédio de quatro pavimentos está sendo erguido na altura do número 52 da Avenida Paulista, no lugar de uma antiga agência bancária e do estacionamento vizinho, que será transformado em um tradicional jardim de inverno japonês aberto aos transeuntes.

Uma praça interna, aberta para rua, dará acesso aos espaços térreos do equipamento: o hall de entrada com cafeteria; um espaço multiuso para até 150 assentos; uma biblioteca com leituras relacionadas à cultura japonesa e um jardim. Grandes portas deslizantes, chamadas de “fusuma” na arquitetura tradicional japonesa, poderão delimitar ambientes, quando fechadas, ou criar espaços mais amplos, se mantidas abertas.

A posição das portas indica ainda se é possível entrar ou não naquele ambiente, uma forma de comunicação indireta valorizada na cultura japonesa como sinal de respeito ao próximo.  Quando as fusumas estiverem totalmente abertas, o piso térreo da Japan House poderá se tornar um grande vão sem divisórias. Dotado de bom pé-direito livre, o ambiente do térreo é um convite a eventos criativos que proponham ocupações variadas.

O primeiro andar será ocupado por um amplo salão de seminários. É um ambiente para encontros entre pessoas — em aulas, conferências ou debates —, obedecendo ao mesmo princípio de flexibilidade de uso. O segundo pavimento, mais distante do ruído da rua, foi reservado para mostras e exposições de maior fôlego: o lugar da arte, das histórias e dos grandes eixos narrativos. O piso terá uma cozinha, de modo a ser usado também para recepções e eventos de gastronomia. Acima deste, o piso será eventualmente ocupado por outras entidades do governo japonês presentes em São Paulo.

A escolha pela capital paulistana se deu principalmente pelo histórico da imigração nipônica na cidade: hoje, tem a maior comunidade de descendentes japoneses do mundo. É, também, uma celebração do aniversário de 120 anos do acordo comercial entre os países e um símbolo para a vontade de ambos para estreitamento ainda maior de seus laços.


JAPAN HOUSE
Arquitetura 
Kengo Kuma & Associates – Kengo Kuma

Ano 2015
Área construída mais de 2.500 m2
Local São Paulo, SP

Fonte ARQ!BACANA 
www.kkaa.co.jp

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