Opiniões



Museu de Congonhas -MG - Projeto GPA&A Gustavo Pena Arquiteto e Assossiados - Maio/2016



O projeto do Museu objetiva enaltecer a idéia de virtude pautada pela “busca aos céus”, ritualisticamente disposta pelo patrimônio. Começa com o caminho do peregrino que fixou a modesta cruz no morro em agradecimento às graças conquistadas. E dele vieram a abdicação da fortuna e a dedicação absoluta à devoção. A missão do devoto perdurou décadas e décadas até a finalização dos conjuntos com a conclusão das capelas que representam os Passos da Paixão.

O museu propõe elucidar uma mediação no sentido de ratificar o patrimônio eloqüente que se edificou no tempo e pelo tempo. Assim, procura-se estabelecer um vínculo associativo com o território simbólico iniciado no século XVIII. No sentido de preservar a hierarquia existente, a consistência e a solidez do acervo histórico e artístico, o museu será criado para reafirmar e assegurar tais representações. Através do seu programa e das soluções organizacionais e plásticas, quer resguardar as formas de afinidade entre o passado e o presente. Inspiradas nos Passos da Paixão, as formas acomodam-se ao terreno e expressam uma “divina ligação”, uma “téléia philia” (como diria Aristóteles), entre os patrimônios material e imaterial. O halo do simbólico dos conjuntos sagrado e consagrado tem suas virtualidades estabelecidas no espaço que enaltece, coleciona, guarda e prepara as futuras gerações – o museu.

O conjunto arquitetônico do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, “a Bíblia de pedra sabão” na leitura do poeta Oswald de Andrade, nos convidou a buscar, em nossa proposta, solução para três questões fundamentais:

Implantação neutra, sem competição volumétrica com o conjunto principal;

Os espaços externos e os percursos internos são claros, amplos e reverentes.

A dinâmica dos espaços faz ecoar a dimensão simbólica dos valores que acolhe e apresenta aos visitantes.

O sentido de contemporaneidade afirma no seu tempo uma atitude atemporal de respeito, equilíbrio e harmonia.

DESCRIÇÃO DO PROJETO

O edifício se desenvolve em três áreas de função distintas, mas interligadas. – Recepção aos visitantes e Edifício dos Romeiros ao nível de entrada;

Nos dois níveis adjacentes à área que envolve o Hotel Colonial, estão: – Área do Museu com as Salas dos Profetas, Salas dos Passos da Paixão – Área do Centro de Estudo/Pesquisa e Administração

TERRAÇO DE CHEGADA

A área de distribuição das funções, emerge do grande terraço de acesso em dois tempos: o da chegada, mineral, simples, direto e eficiente; lugar de muita gente e movimento. E o outro separado por jardins, para contemplação, com o seu espelho d´água a refletir o céo e o horizonte.

EDIFÍCIO DOS ROMEIROS

O edifício da Recepção e Romeiros foi pensado sob uma lâmina horizontal de estrutura metálica leve e aérea, de forma a não competir com os volumes do Santuário. O seu nível máximo não ultrapassará a conta do adro da Basílica, enaltecendo o respeito aos bens paisagísticos e artísticos através da manutenção de suas características. Este edifício se apresenta para os Romeiros, razão e fundamento do próprio Santuário.

Nome do projeto: Museu de Congonhas
Arquitetura: Gustavo Penna, Norberto Bambozzi, Laura Penna, Laura Caram, Juliana Couri, Letícia Carneiro
Local: Congonhas – Minas Gerais – Brasil 
Ano do projeto: 2005
Área Construída: 90.000m2
Consultoria Museológica: Expomus – Maria Ignez Mantovani
Recursos Audiovisuais: Preto e Branco – Luiz de Franco Neto
Memória Descritiva: Celina Borges
Programação Gráfica: Greco Design
Maquete Eletrônica: Mídia.com
Maquete Física: Hélio José Macie

Fonte: http://www.gustavopenna.com.br/projetos/exibir/museu_de_congonhas/41 

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