Opiniões



É Importante entender a história das cidades - Agosto/2016



O indiano Kartik Chandran, PhD em Engenharia Ambiental pela Universidade de Connecticut e pesquisador sobre transformação de esgoto em recurso utilizável, esteve no Rio para evento da Coppe e da Universidade de Columbia que debateu soluções inovadoras para os problemas das grandes metrópoles. Deu a seguinte entrevista:

"Sou indiano. Fui para Nova York estudar Engenharia Química. Tenho PhD em Engenharia Ambiental pela Universidade de Connecticut, e sou professor assistente na Universidade de Columbia. Ganhei a genius grant da MacArthur Foundation (premiação) para desenvolver pesquisa sobre transformação de esgoto em recurso utilizável."

Conte algo que não sei.

Cresci em cidades grandes. Fui criado em Déli, na Índia. Depois, mudei-me para Nova York, onde estudei e moro há 15 anos. Sou fascinado por entender como elas se formaram, cresceram, se transformaram, como conseguiram prover água potável, energia e comida para as suas populações. Errou-se muito até chegar ao que as cidades grandes são hoje. Mas, agora, não dá mais para desperdiçar o planeta. Por isso, é importante entender a história das cidades para saber o que fazer com as futuras metrópoles.

Sim e não. Sim para os lugares que não estão preocupados com o meio ambiente. Isso pode gerar prejuízos. E não para as cidades sustentáveis, que se preocupam com seus resíduos.

O esgoto nada mais é do que a soma de água mais “x”. Por meio de sistemas biológicos de tratamento, é possível separar esse “x” da água. E, além de se ter de volta uma água que poderá ser reutilizada, aproveitam-se os resíduos, como fósforo e nitrogênio, para se fazer fertilizantes, e o carbono, na geração de energia.

Israel e Singapura. Aposto que quando me fez essa pergunta esperava ouvir Estados Unidos. Os americanos têm a tecnologia para o tratamento, mas não necessitam dele ainda. Isso só é bem implementado nos países em que a reciclagem da água é essencial.

Depende. Quando o esgoto vai para as galerias e se mistura com uma quantidade de água maior, fica mais difícil de tratar. Nesse caso, a reciclagem é mais cara. Mas, claro, qualquer gasto nunca vai ser maior do que os prejuízos irreversíveis que o não tratamento do esgoto pode trazer ao planeta. No entanto, se a reciclagem é feita quando o esgoto está concentrado o gasto é bem menor. Fora que a energia e os produtos químicos gerados poderão ser usados para se tratar o esgoto, o que reduz custos.

Não. Os moradores já pagam uma taxa às empresas por tratamento de esgoto. Esse dinheiro que eles gastam com isso, ou até menos, poderia ser usado na reciclagem em seus edifícios.

Por meio da educação. É importante que se faça entender, por meio de campanhas públicas, que o esgoto não tratado faz mal ao meio ambiente e que, no futuro, a conta vai chegar. Essa conscientização, alinhada a uma regulamentação, seria importante para que o esgoto não precisasse ser tratado depois que fosse para as galerias, mas, sim, nos próprios prédios residenciais ou comerciais ou nas favelas, porque é onde está bastante concentrado e, consequentemente, bem mais fácil de ser tratado.

Se a reciclagem seguir um protocolo de execução, isso não vai acontecer. Esse tratamento precisa ser seguido corretamente para dar certo, como uma receita de bolo. Caso contrário, pode, sim, gerar gases de efeito estufa.

Comente em contato@sergiomauad.com.br

Fonte:Paraná - Jornal de Fato 31/08/2016