Opiniões



O mercado imobiliário brasileiro vive uma bolha especulativa?- Por *Sergio Nocera Filho - Abril/2014



Esse assunto é um dos temas mais discutidos atualmente entre os investidores, financiadores, loteadores, incorporadores, agentes imobiliários entre outros.
Resguardadas as devidas proporções, a valorização expressiva é percebida em diversos municípios brasileiros, entretanto, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo ficam na liderança. Há pouco, bairros de classe média e média alta de São Paulo obtiveram valorizações acima dos demais, favorecendo verdadeiros leilões. Corretores imobiliários de bairros como Moema (São Paulo) não conseguem atender a demanda desesperada de clientes. Uma situação peculiar de um investidor que adquiriu o imóvel em março do ano passado e em maio teve uma proposta de 50% a mais do valor e o revendeu. Nem mesmo o havia reformado.
Até quando vai esse boom?
Setores como o de shopping centers e de escritórios corporativos já estão em elevado desaquecimento, parte assegurada pelo PIB mais fraco do país e de surtos inflacionários indesejáveis. O retorno, ainda que tímido, das economias Americanas e da Europa, assim como o desaquecimento Chinês, afugentaram investidores internacionais do país. Especialistas do mercado imobiliário acreditam que á partir de agora a valorização será mais comedida e em sintonia com a realidade.
Por que os valores de imóveis subiram tanto?
O principal fator é o crédito imobiliário, não apenas dos projetos brasileiros de incentivo a habitação popular, a exemplo do famoso “Minha casa, minha vida” como outros oriundos de bancos múltiplos, que estão mais propensos a emprestar recursos para a classe média/média e alta, composta por famílias com renda média entre 10 salários ou acima. São potenciais compradores de imóveis na faixa entre R$ 300 mil á R$ 1,500 milhão. O aquecimento da economia interna caracterizando o baixo desemprego também é fator que impulsiona esse mercado. Outro elemento que contribui diretamente, tanto na quantidade de financiamento destinada ao setor imobiliário quanto á investidores e especuladores, é a taxa de juros                SELIC (paga pela União pelos títulos referenciados na dívida interna), que desde 2010 vinha trabalhando em viés baixista estimulando investidores em renda fixa á procurar alternativas mais rentáveis para aumentar seus rendimentos, sendo assim o imóvel uma alternativa segura.
Existe realmente risco de uma bolha imobiliária?
A maioria dos especialistas é unânime em confirmar que diretamente não existe. Considerando que o cenário de pleno emprego continue assim como os reajustes salariais anuais acima da inflação, da baixa inadimplência do setor devido ao rigor das instituições financeiras em conceder empréstimos e por último porque o déficit habitacional no Brasil ainda é muito grande e o volume dos empréstimos representarem parte insignificante do PIB comparado aos outros países, conforme demonstração á seguir:

Recomendações aos exaltados
Embora a projeção de otimismo continue latente, recomendo sempre cautela ao escolher o imóvel, fugindo da especulação e de sobrepreços.
Abraço a todos e até a próxima oportunidade.
* Publicado por Sergio Nocera Filho
Administração PUC SP, Bacharel Ciências Contábeis UNIP-SP, Especialista em Mercado de Capitais IBMEC-SP, MBA Finanças PUC-PR, Especialista Controladoria FGF-DF, é Palestrante, Professor Universitário e consultor de investimentos, escritor de jornais e revistas de economia.

Fonte: http://www.ilustrado.com.br/jornal/ExibeNoticia.aspx?NotID=53953&Not=O%20mercado%20imobili%C3%A1rio%20brasileiro%20vive%20uma%20bolha%20especulativa?

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