Opiniões



5 Novidades Arquitetônicas Espetaculares no Cenário Cultural Francês por Céline Piettre - ARTINFO France - Maio/2014



Entre os recentes acontecimentos arquitetônicos da França, aqueles que foram feitos nas instituições culturais ganharam importância, frequentemente mostrando designs de alta qualidade. ARTINFO França escolheu cinco projetos arquitetônicos – incluindo construções novas e reformas de estruturas existentes – focando naquelas que oferecem um cenário estimulante e fundações duradouras às necessidades de uma instituição.

Cité du Cinéma

De longe, este novíssimo centro de produção cinematográfica em Saint-Denis, ao norte de Paris, lembra uma catedral, com sua nave monumental e alas laterais. Mas na verdade é uma antiga usina de 1933, reformada pelos arquitetos da Reichen & Robert & Associés ao custo de €140 milhões ($184 milhões). Completado em 2012 graças aos esforços do diretor e produtor Luc Besson, a Cité du Cinéma agora contém a infraestrutura necessária para todos os aspectos da produção cinematográfica – inédita na França, tornando-a uma concorrente potencial da Cinecittà da Itália e de Hollywood.

O coração do projeto é a sala de máquinas (220 metros de comprimento e com pé direito de 24 metros), restaurada e forrada com um teto de vidro duplo. Em ambos lados há edificações novas ou atualizadas, organizadas em torno de um pátio central, que abriga sets de filmagem, oficinas, um auditório, um restaurante e um prédio para o treinamento dos futuros técnicos cinematográficos da École Normale Supérieure Louis Lumière (que foi realocado de Noisy-le-Grand).

A força desta reforma vem da harmonia perfeita entre a nova função do edifício e o tamanho impressionante da estrutura industrial – cujo espírito os arquitetos decidiram respeitar usando cores e materiais semelhantes aos originais. O design foi planejado para fazer o uso máximo dos espaços pré-existentes, incluindo um porão extenso medindo mais de 9,000 metros quadrados. Algumas relíquias industriais, como uma turbina de 5 metros de altura, foram até preservados como lembretes da história da usina. Como uma conversão arquitetônica, é uma história de sucesso muito bonita, e que pode ser aplicada a outros edifícios abandonados – como, em uma escala menor, a Maison du Peuple de Prouvé em Clichy.

FRAC Bretagne em Rennes

Trinta anos depois de o antigo ministro da cultura Jack Lang ter montado o Fonds Régionaux d’Art Contemporain (FRAC), Brittany conseguiu um espaço ambicioso para exposição e para educadores na zona urbana em desenvolvimento de Beauregard, a noroeste de Rennes. A firma de arquitetura francesa Odile Decq Benoît Cornette foi escolhida para o projeto em 2004, e completou o edifício de 4,000 metros quadrados, que custou €18 milhões ($24 milhões), aberto em maio.

A arquiteta Odile Decq escolheu um design com uma aparência simples: um bloco de aço preto e concreto cinza dividido em duas partes iguais. O exterior fechado e escuro contrasta com os espaços interiores, que são abertos e modulares. Aberturas horizontais e verticais de vidro levam o olhar do visitante para fora. O edifício tem quatro níveis organizados ao redor de um átrio central, e o movimento dos visitantes é dinâmico e fluido. Alguns painéis de laca vermelha criam um brilho vivo.

Da mesma forma que fez no edifício do MACRO, o museu de arte contemporânea de Roma, Decq pensou muito e por muito tempo sobre o fluxo das pessoas que caminhariam pelo espaço. “Se tornou tão importante quanto a coleção,” disse à jornalista Caroline Taret três meses antes de o FRAC Bretagne abrir. “O caminho permite aos visitantes escolher entrar nos espaços expositivos se eles quiserem, como um sistema de múltipla escolha que não impõe nenhuma determinação prévia.

FRAC Provence-Alpes-Côte d’Azur em Marselha

Marselha também tem um novo FRAC, localizado no coração da cidade perto de Place Joliette e do distrito empresarial de Euroméditerranée. Desenhado pelo escritório japonês Kenga Kuma & Associates e custando €20 milhões ($26 milhões), o edifício em forma de L deveria estar pronto em dezembro, mas seu término foi adiado por atrasos na construção.

No entanto, nós já podemos admirar sua fachada “pixelada” – uma verdadeira característica arquitetônica, feita com 1,500 elementos de vidro de diferentes graus de opacidade, que são superpostos uns sobre os outros como camadas translúcidas de tinta. As paredes aeradas filtram luz para dentro do prédio e refletem no exterior, deixando a estrutura se misturar com seu entorno urbano. Como Kengo Kuma descreveu em um press release da FRAC sobre o projeto, esta fachada expressa a luz multidirecional e multifacetada do Mediterrâneo. Meio caminho para cima, a torre abre sobre um terraço “urbano,” feito de madeira, que servirá como um espaço de performance e encontro com vista para a rua.

Louvre-Lens

Em 12 de dezembro, a nova filial do Louvre no norte da França, o Louvre-Lens finalmente abriu suas portas. E, depois de uma longa espera, não decepcionou. Desenhado por Kazuo Sejima e Ryue Nishizawa do escritório japonês de SANAA, a construção do museu parece ser quase invisível – um horizonte de vidro e aço, ou um espelho refletindo a paisagem circundante e flutuando como uma miragem. É modesto, aberto e visível, fazendo uma afirmação anti-arquitetônica, uma alternativa discreta ao esplendor palaciano do seu irmão parisiense.

Sobre o térreo, o edifício presta homenagem à luz do norte da França, bem como à história de mineração da região (a forma do museu é emprestada das pequenas casas dos mineradores). Acima de tudo, honra a coleção do museu, e não tenta competir com ela. Com um comprimento de 400 metros, uma área total de mais de 2.800 metros quadrados e um parque de 50 acres, o Louvre-Lens é um espaço expositivo harmônico e equilibrado fácil de explorar. Só o seu custo - €150 milhões ($197 milhões) — fica um pouco fora dos padrões.

O Departamento de Arte Islâmica do Louvre

O teto em colmeia de bronze do novo departamento de Arte Islâmica do Louvre inspirou muitas comparações: uma duna, uma onda, uma montanha de vidro, uma asa de libélula, ou um tapete voador. Desde setembro, ele abriga o totalmente reorganizado departamento de Arte Islâmica no pátio Visconti do Louvre. A superestrutura, dos arquitetos Rudy Ricciotti e Mario Bellini, beira o cliché, mas se encaixa perfeitamente no palácio preexistente e representa o término de um desafio arquitetônico e museográfico.

Para criar espaço suficiente para as obras, os arquitetos tiveram que cavar 13 metros para baixo do pátio Visconti, sob o risco de colapsar as fachadas do Louvre. Para apoiar este “véu,” que pesa quase 150 toneladas (!), foram precisos oito pilares levemente inclinados, cada um com 30 centímetros de diâmetro, junto com 8.000 tubos ultraleves. Agora, dentro do espaço de 4.640 metros quadrados sob a estrutura aberta se estendem vários séculos de uma rica e variada herança islâmica das coleções do departamento, indo da Ásia a Espanha e incluindo a cultura dos Omíadas, da Andaluzia, dos Otomanos, dos Persas e dos Mamelucos.

 

Na foto: Vista aérea do novo departamento islâmico do Louvre, desenhado por Mario Bellini e Rudy Ricciotti (© M. Bellini - R. Ricciotti / Museu do Louvre © 2012 / Antoine Mongodin) 

Publicação original em http://br.blouinartinfo.com/news/story/861139/5-novidades-arquitetonicas-espetaculares-no-cenario-cultural

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Palavras chave: Louvre, arquitetura, novidades arquitetônicas, arquitetura França