Opiniões



Prédios históricos são adaptados para uso residencial em Nova York - O Globo - Julho/2014



Já pensou em morar num prédio-garagem? Ou numa escola, igreja, cinema antigo e até num armazém? Pois os nova-iorquinos, sempre eles, estão driblando a falta de espaço na cidade transformando em prédios residenciais antigas construções que, originalmente, tinham finalidade bem diversa, como mostrou o New York Times.

Segundo especialistas do mercado imobiliário da cidade ouvidos pelo jornal, os terrenos são extremamente escassos, e há muitos bairros históricos onde é difícil erguer novas construções. Além disso, algumas dessas estruturas antigas são muito maiores do que as leis atuais permitiriam que fosse construído hoje. E, muitas vezes, a adaptação desses prédios é até mais rápida que uma nova construção.

Até o dia 27 de junho, a cidade emitiu 28 licenças para construção, em Manhattan, de acordo com o Departamento de Construções da cidade. Durante o mesmo período, foram outras 28 permissões para conversão de antigas construções em prédios de apartamentos. Ou seja, as conversões representaram metade das licenças concedidas pela prefeitura este ano. Em 2007, em meio ao boom imobiliário, elas representaram um terço do total.

Há exemplos de prédios sendo convertidos por toda Manhattan, mas um em especial vem chamando atenção. O prédio de 1927 com 31 andares em frente ao World Trade Center, que antes era utilizado pela companhia telefônica Verizon. Projetado pelo arquiteto art déco Ralph Walker, o prédio tem um lobby ricamente decorado com esculturas de videiras, flores e pássaros e muito dourado. Ali, serão 161 unidades residenciais, de um a cinco quartos, em um projeto chamado "Barclay Square". A expectativa é que o lançamento aconteça em setembro, com o metro quadrado valendo entre US$ 2,1 mil e US$ 3 mil. Algo entre R$ 4,6 mil e R$ 6,6 mil.

COMPLEXO ESCOLAR SERÁ ADAPTADO NO BROOKLYN

Já em Greenwich Village, dois edifícios-garagem estão sendo convertidos em apartamentos. Um deles, de 1930 e perto da Quinta Avenida, costumava ser usado pela Hertz, a empresa de aluguel de automóveis. Agora, está sendo adaptado para o uso residencial, o que inclui uma série de mudanças na estrutura do prédio. As janelas, por exemplo, não eram grandes o suficiente para moradia, então estão sendo alargadas. O projeto, tocado pela empresa DHA Capital and Continental Properties, deve consumir US$ 75 milhões (R$ 165 milhões) e levar 16 meses para ficar pronto. Uma construção nova levaria no mínimo dois anos. As vendas das unidades que têm três quartos e custam a partir de US$ 7,5 milhões (R$ 16,5 milhões) começaram em abril, mas até junho nenhum negócio tinha sido fechado.

Igrejas também vêm sendo convertidas para o uso residencial há alguns anos na cidade. Mas um projeto em especial, no bairro de Williamsburg, no Brooklyn, vem chamando a atenção. No antigo campus da St. Vincent de Paul - onde funcionava uma escola católica e uma igreja - está sendo criado o "Spire Lofs", um complexo que terá 104 unidades para aluguel e vai manter as características originais da arquitetura.

Na primeira fase do projeto, o prédio de tijolos aparentes de 1920 que abrigava a reitoria vai ser transformado em 10 apartamentos. Na segunda fase, a igreja do século XIX em estilo neo-gótico será transformada em 39 unidades. Para isso, serão adicionados vários andares na construção. Na terceira, o prédio da escola, que é de 1950, será transformado em 55 apartamentos. Embora os proprietários não divulguem os valores do projeto, sabe-se que o complexo foi comprado por US$ 14 milhões (R$ 30 milhões) e os aluguéis devem ser bem salgados. Para o menor apartamento de um quarto no prédio da igreja, o valor vai ser de US$ 3,9 mil (R$ 8,6 mil), enquanto as unidades de cinco quartos serão alugadas por US$ 11 mil (R$ 24 mil).

A cidade ainda tem um cinema sendo transformado: o "Ridgewood Theater", que funcionou entre 1916 e 2008 e teve a fachada tombada em 2010. Ali, serão 50 unidades de um a dois quartos também para aluguel. E até mesmo a prefeitura já vendeu alguns prédios que devem ser adaptados para o uso residencial pela iniciativa privada.

Fonte: O Globo online, Morar Bem, 15/jul/2014

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