Opiniões



Espaço Público, Fundos Privados: A Praça Nova do Metropolitan Museum of Art - Fev/2015



Embora o Metropolitan Museum of Art seja frequentemente acusado de elitismo, os degraus de granito da entrada da instituição são considerados um dos espaços públicos mais democráticos de Nova York. Diariamente turistas, mendigos, moradores chiques do Upper East Side, e nova-iorquinos das mais diversas modalidades marcam encontros, se sentam, descansam, observam outras pessoas, e talvez leiam um livro nos degraus do Met ou na praça arborizada ao lado.  Isto é, até 2012, quando o museu fechou seu pátio e a praça lateral para uma renovação - a primeira desde que os degraus e o pátio foram adicionados à fachada frontal do Met em 1968, como parte de uma expansão projetada por Kevin Roche e John Dinkledoo

Esse estimado espaço público reabriu na semana passada após uma revisão completa, apesar de discreta, por arquitetos paisagistas da OLIN de Filadélfia. A reforma deixou muito da praça e das escadas inalteradas - as intervenções de maior sucesso dos designers preservam e acentuam as características que deram ao espaço a sua reputação em primeiro lugar.

Cento e seis árvores foram plantadas e guarda-sóis foram adicionadas aos canteiros das árvores que agora revestem 312 metros da praça ao nível da rua, proporcionando 5364 metros quadrados de sombra. Novas fontes quadradas, construídas com granito preto, ladeiam a escadaria principal da entrada, substituindo as fontes originais, em uso desde os anos 1970, que tinha se deteriorado. Tanto assentos permanentes como temporários foram adicionados ao longo da praça. O efeito faz com que a praça do Met seja um lugar ainda mais agradável para descansar, e os visitantes do museu e transeuntes certamente irão  responder a estas mudanças com grande entusiasmo.

Um detalhe da reforma, no entanto, já foi recebido com hostilidade. Ao longo da lateral das duas novas fontes, letras douradas soletram "David H. Koch Plaza." O bilionário que financiou a renovação, conferindo 65 milhões de dólares para o projeto, também doa dinheiro para causas da direita, que incluem o Tea Party e ativistas que negam os efeitos das mudanças climáticas. Durante um jantar de comemoração na noite de abertura, três ativistas, Kyle Depew, Grayson Earle, e Yates McKee, projetaram slogans anti-Koch na fachada do Met que liam "Museu Met: Oferecido à você graças ao Tea Party" e "Koch = caos climático ". A prisão deles naquela noite criou ainda mais sensacionalismo sobre a disposição do museu para aceitar dinheiro desses doadores, apesar das suas posturas éticas. Anteriormente, no mesmo dia, ativistas fizeram performances anti-Koch na praça - e por um golpe de sorte, deram de cara com Koch, em pessoa, que descia a escadaria do museu de tarde. Em uma reviravolta irônica, o encontro casual afirmou o significado da praça como espaço público: raramente ativistas têm acesso imediato ao objeto de sua ira.

“Há algumas escadarias na cidade - como aqueles em frente ao Metropolitan Museum of Art", escreveu o crítico de arquitetura Paul Goldberger, em 1987, no New York Times ", que são, indiscutivelmente, eventos urbanos mais importantes do que os edifícios para o qual elas  conduzem. "Visitantes lotam a praça buscando a espontaneidade e a diversidade que são emblemáticos de Nova York. Poucos notarão as letras relativamente pequenas, e menos ainda reconhecerão o nome Koch. Mas, mesmo para aqueles que desdenham o patrocínio de Koch e a presença pública, a praça reaberta oferece ampla oportunidade de dizer isso.

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Fonte da publicação em 19/09/14 http://br.blouinartinfo.com/news/story/1054841/espaco-publico-fundos-privados-a-praca-nova-do-met